Ele nunca poderia ter imagino a grandeza que aquela iniciativa terminaria por alcançar. Ao longo de mais de 100 anos de história o FC Barcelona cresceu de forma espetacular em cada área e evoluiu para algo muito maior do que um simples clube esportivo, tornando realidade o slogan “mais que um clube” do Barça.

O Barça se tornou, para milhões de pessoas em todo o mundo, um símbolo da sua identidade, e não somente no âmbito esportivo, mas também em termos de sociedade, política e cultura. Durante as épocas mais difíceis, o Barça foi o modelo que representou o desejo da Catalunha e do povo catalão por liberdade, um simbolismo que continuou intimamente ligado às características individuais do clube e dos seus sócios até os dias atuais. Dentro do contexto da Espanha, o Barça é visto como um clube aberto e democrático. Em todo o mundo, o Barça se identifica com causas assistenciais, e mais especialmente com crianças através do seu acordo de patrocínio com a Unicef.

Durante um século inteiro, o FC Barcelona passou por momentos de glória e dor, períodos de brilhantismo e outros de menos sucesso, vitórias épicas e derrotas humilhantes. Mas todos esses momentos diferentes ajudaram a definir a personalidade de um clube que, devido à sua natureza peculiar, é considerado singular no mundo.

Com mais de cem anos de história, é natural que tenha havido diferentes períodos, tanto no âmbito social quanto esportivo. Nos primeiros anos (1899-1922), da fundação do clube até a construção do estádio Les Corts, o Barça foi um clube que precisava se diferenciar de todas as outras equipes de futebol em Barcelona, ao ponto de vir a se tornar identificado com a cidade como um todo. Logo o Barça se tornou o principal clube na Catalunha, e também se associou com a sensação cada vez maior de identidade nacional catalã.

De Les Corts ao Camp Nou (1922-1957), clube passou por períodos contrastantes. O seu número de sócios alcançou 10 000 pela primeira vez, enquanto o futebol se tornou um fenômeno das massas e se profissionalizou, e esses foram os anos de figuras lendárias como Alcántara e Samitier. Mas devido às dificuldades financeiras e problemas políticos da Guerra Civil Espanhola e período pós-guerra, o clube foi forçado a superar as circunstâncias adversas, incluindo o assassinato do presidente Josep Sunyol em 1936, a mesma pessoa que havia popularizado o slogan “esporte e cidadania”. Mas o clube sobreviveu, e um período de recuperação social e esportiva se materializou na forma do Camp Nou, coincidindo com a chegada do influente Ladislau Kubala.

Da construção do Camp Nou até o 75.° aniversário (1957-1974), o Barça sofreu com resultados medíocres mas se consolidou como entidade, com um aumento constante no número de sócios e a recuperação lenta, porém contínua, da sua identidade frente às adversidades. Uma sensação muito clara que foi manifestada pela primeira vez nas palavras “Barça, mais que um clube” proclamadas pelo presidente Narcís de Carreras. A diretoria presidida por Agustí Montal trouxe para o Barcelona um jogador que mudaria a história do clube, Johan Cruyff.

Do 75.° aniversário até a Copa Europeia de Clubes (1974-1992), o clube assistiu à conversão dos clubes de futebol em democracia, ao início da longa presidência de Josep Lluís Núñez, à ampliação do Camp Nou por causa da Copa do Mundo de 1982 e ao triunfo da Copa dos Campeões na Basileia (1979), e a um grande sucesso não somente no esporte, mas também no âmbito social, com um imenso número de torcedores do Barça demonstrando para a Europa a unidade das bandeiras do Barcelona e da Catalunha. Cruyff voltou, mas dessa vez como técnico, e criou o que viria a ser conhecido como o “Dream Team” (1990-1994), cujo coroamento foi a conquista da Copa Europeia de Clubes em Wembley (1992), graças ao famoso gol de Koeman. Domínio internacional. A época entre Wembley e Abu Dhabi (1992-2009) foi onde aconteceram os mais recentes desenvolvimentos do clube, e entre as suas três grandes façanhas, a de se tornar o campeão da Europa. A longa presidência de Josep Lluís Núñez terminou, e o clube exibiu o seu imenso potencial durante as celebrações do centenário do clube. Após Joan Gaspart (2000-2003), a eleição de junho de 2003 trouxe Joan Laporta para o gabinete, e também o início de uma nova expansão social, alcançando 172 938 sócios e mais sucessos no campo, incluindo quatro títulos de ligas, os títulos da Liga dos Campeões ganhos em Paris e em Roma e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

Na temporada de 2008-09, a chegada de Josep Guardiola como técnico da equipe principal renovou as energias do clube e viu a melhor temporada em toda a história do clube, ganhando os seis títulos que ficarão para sempre na memórias de todos os fãs do Barça. O sucesso no gramado ajudou o clube a ampliar o seu papel social e aumentar a sua presença na mídia. Na temporada 2009-10, a segunda no comando, sob a liderança de Guardiola, o título da Liga foi ganho pelo segundo ano seguido e representou o vigésimo na história do clube, definindo um novo recorde de 99 pontos no processo. O título não foi decidido até o último dia, em um jogo contra o Valladolid, e as celebrações aconteceram naquela mesma noite junto com os fãs nos Camp Nou. A grandeza do Futbol Club Barcelona é explicada, entre diversos outros fatores, por sua impressionante lista de prêmios. Pouquíssimos clubes em qualquer lugar do mundo ganharam tantos títulos. A Copa Intercontinental é o único grande troféu de futebol que ainda não chegou ao museu do clube, onde os maiores orgulhos e alegrias do clube continuam sendo os títulos da Copa Europeia de Clubes ganhos em Wembley (1992), Paris (2006), Roma (2009) e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, ganha em 2009.

Além de ganhar o principal título europeu, o clube também tem a honra de ser o único a ter participado de cada uma das edições da competição europeia de clubes desde que os torneios foram criados em 1955. As diversas façanhas do Barcelona na Europa incluem o fato de ser considerado o “Rei da Copa dos Campeões da Copa”, tendo ganhado esse título quatro vezes. Além disso, o FC Barcelona também ganhou três Copas Fairs (o torneio que agora é conhecido como Copa da UEFA) em 1958, 1960 e 1966. Em 1971, o Barça ganhou o troféu em uma partida disputada entre eles, os primeiros campeões da competição, e o Leeds United, os campeões mais recentes.