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Luis Suárez analisa os seus primeiros meses no Barça em uma exclusiva à Revista Barça / FOTO: Germán Parga - FCB

Luis Suárez / FOTO: Germán Parga - FCB

Luis Suárez aparece com um sorriso e uma cuia de chimarrão, disposto a explicar o que sente e como viveu estes quatro meses sem poder jogar por causa da punição que sofreu após o episódio com Giorgio Chiellini na última Copa do Mundo da FIFA, disputada no Brasil. O atacante uruguaio falou com o coração aberto, como jogador e também como ser humano. A seguir, você pode conferir a entrevista exclusiva de Suárez para a Revista Barça.

Deve estar contando os dias para entrar em campo e voltar a se sentir um jogador de verdade...
"Os últimos jogos que assisti dos meus companheiros notei um aumento na ansiedade para voltar a jogar, para ajudar ou pelo menos estar à disposição do treinador. O meu papel agora é apoiar-lhes, estar do lado deles e esperar, porque falta pouco. Você se sente mal pela impotência de não poder ajudar."

Os quatro meses sem poder jogar foram os mais difíceis na sua carreira?
"Sim, principalmente nos dois primeiros meses, quando não me via mais como um jogador de futebol. Isso foi o pior, porque as pessoas cometem erros e aceitá-los sempre é bom. Mas o que mais te deixa indignado é você não se sentir um profissional, como o restante dos jogadores. Era o que mais me entristecia." Joguei 15 minutos no Troféu Joan Gamper e confesso que me sentia como um convidado

Como imagina que será o seu retorno aos gramados? Certamente sonhou com isso...
"Parece que ainda não caiu a ficha. Joguei 15 minutos no Troféu Joan Gamper e confesso que me sentia como um convidado. Não sentia que era jogador do Barça. Tinha acabdo de chegar e ainda estava um pouco nervoso. Fico imaginando o que será vestir a camisa do clube, estar com os companheiros no vestiário antes da partida e por coincidência tudo isso vai acontecer em um estádio importante. Tenho muita vontade de viver essa experiência. Nunca se sabe, mas sou dos que pensam que as coisas acontecem por algum motivo. Com 19 equipes na Liga, é muita coincidência que volte justamente contra o Real Madrid."

Você é o quinto jogador a conseguir uma 'Chuteira de Ouro' que acaba contratado pelo Barça, depois de nomes como después de Krankl, Stoichkov, Larsson e Henry. Marcou 31 gols na temporada passada, um número recorde na Inglaterra. Ficou frustrado por não ganhar a Premier com o Liverpool?
"As conquistas pessoais são bem-vindas e te deixam feliz, porque é o reconhecimento pelo bom trabalho que você faz. Mas eu prefiro priorizar o coletivo e e no ano passado tivemos próximos de conseguir o título da Premier com o Liverpool, um feito que seria considerado espetacular. O que eu valorizo é o trabalho feito por toda a equipe e também ter marcado esses gols sem cobrar pênaltis...A verdade é que fiquei muito contente porque se não tivesse a mentalidade de querar levar a equipe ao ponto mais alto, o Liverpool não teria triunfado desta maneira. O fato de voltar a jogar uma Champions League também era um dos mus objetivos."

Superou os 100 gols no Ajax, um número a altura de Cruyff, Van Basten e Bergkamp. Sua primeira partida na Champions será contra o Ajax. Também acredita que é o destino?
"São muitas coincidências. Além disso, o jogo será em Amsterdã. Voltar ali despois de tanto tempo e também voltar a jogar a Champions justamente contra o Ajax, equipe com a qual joguei essa competição pela primeira vez...e fazê-lo com o time que sonhei jogar, que é o Barcelona....Sim, é o destino de novo. Será uma partida muito especial para mim. Voltar a encontrar o pessoal do clube, a torcida, tudo isso me deixa muito feliz." Para mim foi algo único, algo histórico nesta época, ser capitão do Ajax com a idade que tinha

Também foi capitão do Ajax com 22 anos. Isso fala muito sobre você...
"Fui para o Ajax em 2007 e em 2009 era o capitão. O treinador Martin Jol gostava da minha maneira de ser e achou que isso beneficiaria a equipe. O fato de me sentir responsável em uma equipe como o Ajax também era algo que me motivava. Pensei que o idioma seria uma barreira para isso, mas o técnico pensava diferente. A única coisa que me disse é que teria que liderar a equipe e que buscasse jogar o melhor possível. Para mim foi algo único, algo histórico nesta época, ser capitão do Ajax com a idade que tinha."

Nunca diminuiu a marca dos 10 gols desde a temporada em estreou no na equipe do Nacional (2005/06) e seu recorde foram 35 gols com o Ajax na campanha 2009/10. O gol é uma obsessão para você?
"O que um atacante mais gosta de fazer são gols e isso também depende da qualidade do jogador, da confiança, do instinto que tem em cada momento, do oportunismo...mas o atacante também é um companheiro. No meu caso, gosto de criar uma boa jogada e dar assistências. Às vezes, as pessoas não acreditam, mas existem atacantes que gostam de dar um gol para um companheiro que está melhor posicionado. Nas equipes que joguei sempre busquei ajudar com gols, mas também com assistências."

Você é considerado um centroavante nato, mas a verdade é que no ano passado jogou mais pelas pontas e é provável que tenha que fazer o mesmo no FC Barcelona. Você se sente cômodo nesse papel? 
"Alguns me consideram centroavante e, outros, atacante. Isso porque quando joguei como centroavante não consegui ficar na posição do típico camisa 9. Sempre bisca a movimentação e não gosto de estar quieto. Quando temos a posse de bola, me movimento por todo o ataque e não fico apenas dentro da áera. Mas temos que estar atentos aos pedido do treinador e tentar ajudar a equipe como puder."

Agora terá como companheiros nomes como Messi, Neymar, Xavi, Iniesta, Busquets... O Barça terá uma das melhores, ou talvez o melhor tridente ofensivo do mundo. O que isso significa para você?
"O que penso agora é em voltar a jogar e ajudar a equipe como puder. Conquistar o meu espaço no time titular e demonstrar ao técnico que venho para oferecer algo mais para que o Barça possa conquistar títulos. Mas a qualidade dos jogadores que estão aqui é incrível, admirável."

Dá para notar nos treinamentos?
"Sim, claro que dá para notar. Assistia os jogos e já podia ver a qualidade dos jogadores. Nos treinos o que você faz é confirmar o que vê nos jogos. Ver os passes de Leo Messi, , Neymar, Xavi, Iniesta... todos jogadores com muita qualidade e que dão passes incríveis, te deixam impressionado. Compartilhar um treinamento e o dia a dia com eles é algo espetacular."

Como mantinha a forma enquanto ainda não podia treinar com o Barça?

"Ia a uma academia com um preparador físico. Trabalhávamos em um quadrado de 10x10m e era complicado evitar que as pessoas te vissem e fizessem alguma foto. Era difícil, mas também tinha a consciência que trabalhava para mim, que vinha de uma operação no menisco antes da Copa. Estava recuperado mas não em plena forma para realizar trabalhos exigentes. Primeiro tinha que fortalecer o joelho e logo melhorar a forma. Podia sair para correr mas tinha que avitar algumas coisas, o pensamento era de trabalhar duro para que quando voltasse a treinar pudesse estar ao nível dos meus companheiros."

O que a torcida pode esperar de você?
"O único que posso afirmar é que cheguei com vontade de triunfar no Barça, conquistar títulos, alguns que ainda não ganhei na Europa e dar o máximo em cada jogo. Não vou desperdiçar a oportunidade de jogar na equipe onde sempre quis estar. Quero demonstrar para as pessoas que quero triunfar aqui no Barça e ajudar meus companheiros como puder."

Agora no Barça mas já esteve próximo de abandonar o futebol...
"O início foi duro. Em um determinado momento, com 14 anos, no Nacional de Montevidéu, me disseram que não contariam comigo, que naquele ano não tinha superado as expectativas do clube. As más companhias não me ajudavam e tinha que me afastar disso e me concentrar no futebol. Teve gente no Nacional que me ajudou a ter uma última oportunidade e também me ajudou ter conhecido a Sofia. Ela me levou para o bom caminho e me ajudou na carreira."

Você se lembra das palavras de Ricardo ‘Murmullo’ Perdomo?
"Perdomo era meu técnico no juvenil quando tinha 14 anos. Passei por um momento ruim e Perdomo me falou que deveria cuidar da minha vida ou perderia o trem do futebol. Depois disso, comecei a melhorar." Quando alguém pede perdão é porque se arrepende do que fez

Sua personalidade já lhe causou algumas decepções. Você se arrepende de algo?
"Quando alguém pede perdão é porque se arrepende do que fez. Perdão significa arrependimento. Mas também me julgaram por coisas que não eram certas, como o caso do racismo. Fui acusado sem nenhuma prova e isso foi o que mais me incomodou. O resto foram erros que cometi, aceitei e pedi perdão. Mas o episódio do racismo, sem nenhuma prova, me incomodou."

Quando pediu perdão pelo episódido da última Copa, você tirou um peso das costas? 
"O fato de você aceitar que cometeu um erro é bom, e foi o que fiz. Demorei alguns porque devem entender que você também é humano e às vezes é difícil de aceitar a realidade. Era difícil entender o que tinha feito. Naqueles dias não queria saber de nada. Só queria estar com a minha mulher e meus filhos, que me deram apoio neste momento. Mas não queria escutar nem falar com ninguém. Não queria aceitar."

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