fcb.portal.reset.password

Belletti com a camisa do FC Barcelona na Arena de São Paulo. / FOTO: Lucas Duarte - FCB

Stade de France. 17 de maio de 2006. Final da Champions League. Minuto 81 da decisão entre FC Barcelona e Arsenal. Belletti recebe a bola pela direita e toca para Larsson. O sueco vê a entrada do lateral brasileiro na área e devolve o passe. Belletti domina, avança e chuta cruzado. A bola bate na perna do goleiro Almunia e vai parar no fundo das redes. Barça 2 a 1. 

Após isso, uma explosão de júbilo tomou conta dos jogadores culés sob a chuva fina que caía do céu de Paris. Uma alegria que viajou em segundos até Barcelona, em uma das maiores celebrações de título já vistas na Catalunha. Era o gol que assegurava o segundo título da Liga dos Campeões do Barça e que eternizava o lateral brasileiro na história azul-grená. 

Juliano Haus Belletti (38 anos) conquistou duas Ligas Espanholas, foi o herói da Champions de Paris e fez parte da equipe histórica comandada pelo técnico Frank Rijkaard. Tudo isso após estar presente no grupo que conquistou um Mundial com o Brasil, em 2002. O lateral brasileiro conversou com o www.fcbarcelona.com.br no último sábado, em Belo Horizonte para falar sobre Copa do Mundo e FC Barcelona. Confira!

Pergunta - Pelo que foi visto até agora, você acredita que a seleção brasileira pode conquistar o título desta Copa do Mundo?

Belletti – Acredito que sim, mas não está fácil. O sofrimento diante do Chile era esperado, é uma grande equipe. Mas o Brasil melhorando em alguns aspectos pode ganhar essa Copa sim.

Você é um dos privilegiados que já venceram uma Copa. Na sua opinião, qual é a coisa mais importante para ganhar uma competição como essa?

Belletti – Tem que saber jogar com inteligência e estar concentrado o tempo todo. Mas o principal é a superação, principalmente em uma Copa tão equilibrada como a que estamos vendo aqui no Brasil. Na minha opinião, isso é o mais importante.

O que significou para você ganhar esse título? Mudou a sua carreira e a sua vida pessoal de alguma maneira?

Belletti – Pessoalmente, é um motivo de orgulho para os familiares, amigos e para as pessoas em geral. Isso não tem preço. No lado profissional também é muito gratificante. O Brasil teve grandes jogadores que não conseguiram esse título. Poucos conseguiram uma Copa do Mundo e fazer parte desse grupo é motivo de muito orgulho, algo que fica marcado para sempre.

Quando você escuta falar numa Copa do Mundo qual é a primeira lembrança que vem na sua cabeça?

Belletti – Foi o momento que entrei na semifinal contra a Turquia, em 2002. Um jogo dessa dimensão ninguém esquece. Eu sou de Cascavel (PR) e conseguir algo assim na carreira é muito difícil.

FC BARCELONA

Do que você mais sente saudades da sua etapa no FC Barcelona?

Belletti – Não sinto saudades de alguma coisa específica. Como profissional, aproveitei ao máximo a minha etapa no Barcelona. Vivi tudo o que tinha para ser vivido e posso dizer que é um orgulho muito grande ter jogado nesse grande clube, com grandes jogadores.

Na sua opinião, por que o Barça é 'Mais que um Clube'?

Belletti – Por conseguir ter sucesso e conquistar títulos em todas as modalidades esportivas. Além disso, a maneira como eles tratam os familiares dos atletas, com toda a atenção necessária, é algo excepcional. E também a atenção aos próprios jogadores. Não deixam faltar nada e a única preocupação que você tem é a de jogar. Isso é muito importante.

Você coincidiu com Messi no início da carreira dele. Ficou surpreso com a explosão dele como atleta e as quatro Bolas de Ouro que conquistou?

Belletti – Olha, via um jogador diferenciado, com vontade de fazer algo importante. Estava claro que seria um grande jogador, mas ninguém imaginava que ele poderia chegar a fazer o que fez. Confesso que foi uma surpresa sim. Ganhar quatro ‘Bolas de Ouro’, manter o nível tão alto durante tanto tempo é algo impressionante. Ninguém tinha feito isso.

Não sei se você tem noção do que representa para o FC Barcelona. Aquele gol em Paris, o da segunda Champions do Barça, fez você ser eternizado na Catalunha. Qual a sua opinião sobre isso?

Belletti – Lembro que foi uma grande festa, uma das maiores já vivida na Catalunha, mas não tenho uma noção exata de tudo isso. Até porque morando há tempos aqui no Brasil, você perde um pouco o contato. Mas há algum tempo ganhei do clube uma réplica da taça da Liga dos Campeões, que tenho na minha casa. É gratificante, porque foi um título muito difícil de conquistar, mais complicado que os que vieram depois.

Como analisa a reformulação que está vivendo o Barça?

Belletti – A de agora é um pouco diferente da que teve na nossa época. Naquela etapa, o que atrapalhou foi o comodismo. Agora, é a idade. Portanto, algo inevitável. Acredito que o Barça não perdeu a qualidade, mas a idade impede que o clube mantenha o nível dos outros anos e que a equipe exerça aquela marcação sob pressão no campo do adversário como antes.

Acredita que o Neymar pode chegar a ser um grande ídolo do FC Barcelona?

Belletti – Eu acho que está acontecendo com ele o mesmo que aconteceu com o Messi. Na nossa época, o Messi tinha um setor fixo no campo. Com a chegada do Guardiola, ele ganhou total liberdade e virou o jogador que é. Acredito que o Neymar também precisa disso para poder mostrar todo o seu potencial. Na seleção brasileira ele tem liberdade e é o craque da equipe. No Barça, também pode ser.

Se fosse para mandar uma mensagem para a torcida do Barça que sempre lembra de você, qual seria?

Belletti – Quando fui contratado, só queria fazer o Barça e a sua torcida feliz. Nunca imaginei que pudesse chegar a fazer parte da vida dos torcedores do Barça. E ter conseguido isso é uma honra e um orgulho muito grande. Não posso pedir mais.

Voltar ao início