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Luis Enrique, durante a entrevista para Barça TV. / FOTO: MIGUEL RUIZ - FCB

Pergunta: Quando você saiu do Barça B, dizia que não pensava em voltar. Realmente acreditou que não voltaria ao Camp Nou?

Luis Enrique. Treinar o Barça nunca foi um dos meus objetivos. É algo tão bonito e difícil que, segundo minha maneira de pensar, é muito complexo. Prefiro ir passo a passo. É verdade que quando saí do Barça B o clube me disse que tinha as portas abertas para voltar, mas eu entendia isso mais como um reconhecimento e não como algo real. No meu caso, o mais bonito foi não planejar nada porque as coisas devem acontecer por elas mesmas. Trabalhei muito para fazer coisas boas em outras equipes e no final, sem buscar, apareci aqui outra vez. Creio que não fazer grandes planos me favoreceu porque o normal é que não ocorram. Minha idéia sempre foi viver o presente. 

P. Chegar ao Barça sempre é complicado. Acredita que a sua experiência como jogador do clube e os três anos no Barça B podem te ajudar? 

L.E. Acredito que vai me ajudar bastante, porque os jogadores vêem que quem dirige o time já esteve na mesma situação que eles. Particularmente creio que conhecer a casa ajuda, apesar de ter mudado bastante as coisas. Não conheço a nova Masia, as instalações da Cidade Esportiva são geniais, o Camp Nou segue sendo espetacular, etc. Tudo são facilidades. 

P. Como jogador você tinha uma grande conexão com a torcida. Acredita que como treinador isso será igual?

L.E. Adoraria, mas como jogador era mais fácil porque a torcida valorizava o esforço e a garra. Como técnico você precisa toamr algumas decisões e certamente vou errar em algumas delas. Será muito fácil que a torcida se identifique com o Luis Enrique treinador se ganhamos títulos, como acontece com todos os treinadores do mundo. 

P. Você foi treinado por Bob Robson, Van Gaal, Serra Ferrer, Rexach, Antic e Rijkaard. Com qual deles você mais se identifica?

L.E. Aprendi de todos eles tanto no aspecto futebolístico como no aspecto pessoal. Cada treinador deixa a sua marca. Eu tenho que ser fiel a minha maneira de ser. Tenho que transmitir à eles minha forma de ver a vida e o futebol, de representar pelos estádios um clube único e incrível. Além de fazer com que saibam que têm a profissão mais maravilhosa do mundo. Tenho que aproveitar a minha experiência como jogador para ajudar cada um deles a mostrar o melhor de si mesmo. 

P. Pede paciência ou pensa que a exigência do Barça é vencer desde o primeiro dia?

L.E. Aqui só importa o presente e o presente é que o Barça deve vencer e deve fazê-lo de uma forma atraente. Vamos explorar a nossa pré-temporada ao máximo para ajudar os jogadores. A maioria deles estarão no Mundial e voltarão no começo de agosto. Com tudo isso, você tem que lutar pelos resultados desde o começo e sou consciente disso.

P. Uma das suas idéias é que algumas coisas devem ser mudadas. Os jogadores ou a torcida vão se surpreender com decisões que possam mudar o que foi visto nos últimos anos?

L.E. Não sei, mas lembro que no Barça colocava cada goleiro durante sete jogos seguidos. Isso no time principal é mais difícil de fazer. O que busco no meu trabalho é não colocar impecilhos pelo fato dos outros terem feito as coisas antes. Nós analisamos o que existe e se pensamos que tem outra maneira de fazê-lo, vamos mudar. Sempre se baseando em razões sólidas. Farei o que considere oportuno para beneficiar o clube. A partir disso, os resultados dirão se eu acertei ou não. 

P. Fará com que os capitães tenham responsabilidade na gestão do grupo e no melhor funcionamento da equipe?

L.E. Isso é vital, porque os capitães são os representantes dos jogadores. Um capitão não é quem levanta a taça e cumprimenta o árbitro, é muito mais que isso. Há uma responsabilidade conjunta e os capitães são uma peça fundamental na comunicação do gruo. Conheço o perfil humano dos que podem ser capitães do Barça e estão preparados. Eles são os grandes protagonistas, devem sentir-se tranquilos e trabalharemos para isso.

P. Você que foi o treinador do Barça B: como quer que seja a tua relação com o Barça B?

L.E. Conversarei com Eusebio (atual técnico do Barça B) e chegaremos a um acordo. Por todos os lugares onde passei, sempre gostei de trabalhar com jogadores dos juniores e também do juvenil. Entendo que é necessário que exista uma boa comunicação, que eu me coloque no lugar do técnico, analise as suas necessidades e esteja aberto a tudo para que a comunicação entre as duas equipes seja a melhor possível. 

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