Imagem da construção do Camp Nou / Arquivo FCB

Inauguração do Camp Nou em 1957 / Arquivo FCB

O Camp Nou nos primeiros dias após a sua construção / Arquivo FCB

O Camp Nou durante as obras de ampliação / Arquivo FCB

O Camp Nou na abertura da Copa do Mundo de 1982 / Arquivo FCB

Imagem aérea do Camp Nou há alguns anos /Arquivo FCB

A história do FC Barcelona pode ser claramente dividida em três fases principais.

No início, o clube teve que mudar constantemente o local dos seus jogos. Na segunda fase, o Barça se consolidou ao encontrar um lar permanente em Les Corts. E a terceira fase, junto com a construção do Camp Nou, reflete a expansão e a grandeza do clube em escala global.

O antigo campo de Les Corts, inaugurado em 1922, passou por diversas reformas para acomodar o sempre crescente grupo de torcedores do Barça. Após a Guerra Civil Espanhola, o clube começou a atrair mais e mais sócios a cada ano, o que também significava um número maior de espectadores nas partidas. Esse aumento no apoio foi a inspiração para vários projetos de ampliação, do 'Gol Sul' do estádio (1946), do 'Gol Norte' (1950) e da capacidade da arquibancada principal (1944). Mas estava se tornando cada vez mais evidente a necessidade real do clube de construir um estádio completamente novo, e portanto, a diretoria juntou tais melhorias em Les Corts com os planos de tornar o sonho de um novo estádio realidade.

A necessidade de um novo estádio

Desde 1948, as pessoas já estavam mais e mais interessadas na ideia de construir dependências totalmente novas, mas isso não era algo fácil. Era necessário convencer as autoridades locais de que um novo estádio seria capaz de se encaixar nos planos de desenvolvimento da área superior da Diagonal.

Muitas vezes se diz que o que finalmente convenceu a diretoria de que não havia outra opção senão a construção de um novo estádio foi a chegada do lendário Ladislau Kubala, um dos melhores jogadores que já participou do FC Barcelona. Embora não restem dúvidas de que Kubala atraiu mais interesse no time do que nunca e elevou o espírito da equipe a um novo patamar, a decisão de construir o estádio foi também bastante inspirada pelos bicampeonato da Liga, conquistado nos temporadas 1947-48 e 1948-49, antes do incrível húngaro assinar com o clube.

Na verdade, o primeiro grande passo em direção a um novo estádio foi dado em setembro de 1950, 15 dias antes da primeira partida amistosa jogada por Kubala com as suas novas cores. Foi nesse momento que o presidente daquela época, Agustí Montal y Galobart, assinou uma opção de compra de um terreno na área conhecida como 'La Maternidad', uma opção que foi confirmada somente dois meses mais tarde.

O que se seguiu foi um período turbulento, já que a comissão do Camp Nou decidiu, em 9 de fevereiro de 1951, mudar o local do futuro estádio para a área no topo da Diagonal, e isso levou a uma série de negociações infrutíferas com as autoridades, que pareciam não estar chegando a lugar algum. O problema parecia estar fora de questão para sempre, quando Francesc Miró-Sans ganhou as eleições do FC Barcelona em 14 de novembro de 1953. O novo presidente foi um apoiador fervoroso da ideia de construir um novo estádio o quanto antes e uma das primeiras atitudes que ele tomou após tomar posse, em 18 de fevereiro de 1954, foi colocar o futuro estádio no local comprado em 1950, em vez de colocá-lo na extremidade superior da Diagonal. E dessa forma, em 28 de março, frente a uma multidão de 60.000 fãs do Barça, a primeira pedra do futuro Camp Nou foi lançada sob a presidência do governador civil Felipe Acedo Colunga e com a bênção do Arcebispo de Barcelona, Gregorio Modrego.

A construção (1954-1957) 

Os arquitetos do novo estádio foram Francesc Mitjans Miró, primo de Miró-Sans, e Josep Soteras Mauri, com a colaboração de Lorenzo García Barbón. Mais de um ano depois, em 11 de julho de 1955, o clube encarregou a empresa INGAR SA do trabalho de construção. A empresa estimou o projeto em 66.620.000 pesetas e alegou que levaria 18 meses para ficar pronto. Entretanto, o estádio viria a custar muito mais do que a estimativa original, terminando em cerca de 228 milhões de pesetas, uma quantia que precisaria ser coberta por sucessivas hipotecas (100 milhões de pesetas) e títulos de curto prazo (60 milhões de pesetas). Tais medidas significavam que a construção do estádio poderia ser financiada, mas deixaria o clube afundado em dívidas por muitos anos.

A inauguração 

O estádio foi inaugurado em 24 de setembro de 1957. Uma comissão especial foi formada com a missão de organizar a cerimônia de abertura que a ocasião merecia, com duas pessoas encarregadas: Aleix Buxeres (relações públicas) e Nicolau Casaus (organização). No sábado de 21 de setembro, no 'Salón de las Crónicas' da câmara municipal de Barcelona, um membro da Real Academia Espanhola declarou solenemente as celebrações da inauguração do novo estádio. No mesmo fim de semana em setembro, uma série de partidas internacionais foi jogada em Les Corts e no 'Palacio Municipal de Deportes' envolvendo as equipes das diferentes modalidades esportivas do clube. Aqueles dias entrariam para a história do Barça e foram transformados em poesia pelo grande poeta Josep M. de Sagarra em seu soneto intitulado “Azul Grana”. Também foi escrito um hino em homenagem ao estádio do FC Barcelona, com letras de Josep Badia e música de Adolf Cabané.

No dia do Festival Mercè de 1957, a cidade foi enfeitada com as cores do FC Barcelona. As celebrações continuaram com a realização de solenidade aberta e a bênção do estádio pelo Arcebispo de Barcelona, Gregorio Modrego. O coral Orfeón Graciense executou “Hallelujah” de Händel enquanto a imagem da Virgem de Montserrat era exaltada. A cabine presidencial estava lotada com os personagens mais importantes da cena esportiva e política da época, incluindo o presidente do clube, Francesc Miró-Sans; José Solís Ruiz, secretário geral do Movimento, que correspondia ao ministério do esporte na época; José Antonio Elola Olaso, diretor da delegação nacional de esportes; Felipe Acedo, governador civil de Barcelona e Josep M. de Porcioles, prefeito de Barcelona.

Embora o trabalho no estádio ainda não estivesse finalizado, mais de 90.000 espectadores puderam participar do evento, que continuou com o desfile no gramado de representantes de todos os grandes clubes de futebol da Catalunha, bem como membros das equipes de outros esportes do clube e dos fã-clubes. O novo Hino ao Estádio foi executado e o primeiro jogo disputado no Camp Nou teve início às 16h30. O FC Barcelona jogou um amistoso contra a equipe polonesa Warsaw. A primeira formação do Barça a pisar no Camp Nou foi composta por: Ramallets, Olivella, Brugué, Segarra, Vergés, Gensana, Basora, Villaverde, Martínez, Kubala e Tejada. Outros 11 jogadores entraram no campo no segundo tempo: Ramallets, Segarra, Brugué, Gràcia, Flotados, Bosch, Hermes, Ribelles, Tejada, Sampedro e Evaristo. O Barça ganhou o jogo por 4 a 2 com gols de Eulogio Martínez (cujo gol aos 11 minutos foi o primeiro no Camp Nou), Tejada, Sampedro e Evaristo. Durante o intervalo, 1.500 participantes do Agrupación Cultural Folclórica de Barcelona dançaram uma grande sardana e soltaram 10.000 pombos. E assim teve início um período totalmente novo na história do FC Barcelona.

A evolução do estádio desde 1957

Quando foi inaugurado, o Camp Nou tinha uma capacidade para 93.053 torcedores (tinha abandonado o projeto de chegar aos 150 mil lugares) e as dimensões do gramado eram de 107x72m – atualmente são de 105x68m, seguindo as normas da UEFA. Os principais materiais empregados na sua construção foram concreto e ferro. Desde o longínquo ano de 1957, o estádio teve muitas reformas e melhorias.

Entre as de maior destaque estão a inauguração da iluminação (1959), o placar eletrônico (1976), os camarotes privados, a sala VIP e a sala de imprensa (tudo na temporada 1981/82). 

Ampliação em 1982

Em 1982 foi ampliada a capacidade do terceiro andar das arquibancadas em mais 22.150 lugares. Desse modo, a capacidade do Camp Nou subiu para 115 mil lugares. No mesmo ano, o estádio do Barça foi uma das sedes da Copa do Mundo da FIFA e foi o palco de abertura da competição. Dois anos mais tarde, em 1984, foi inaugurado o Museu do Clube, situado no 2º andar do estádio.

Durante 1994 foram realizadas novas obras. O gramado foi rebaixado 2,5m com relação ao nível anterior, houve ampliação das arquibancadas do primeiro andar, foram colocadas cadeiras nos espaços onde o público ficava de pé e foi retirado o poço de segurança que existia. Desse modo, a capacidade do Camp Nou foi reduzida para 99 mil lugares.