Imagem da inauguração do Camp Nou, em 1957 | Arquivo FCB

1899-1909: Fundação e Sobrevivência

O FC Barcelona, fundado em 1899 por um grupo de jovens estrangeiros que viviam em Barcelona, foi o resultado do aumento da popularidade do futebol e de outros esportes britânicos na Europa. Tais origens conferiram ao clube a sua identidade intercultural, foco multiesportivo e a sua profunda lealdade a Barcelona e à Catalunha.

A fundação do clube coincidiu com uma época onde as pessoas estavam se interessando pela prática de esportes na Catalunha; este contexto social e a cultura idiossincrática da Catalunha levou à criação de um novo modelo de lazer moderno.

Joan Gamper, o fundador do clube, foi a inspiração e a força motriz por trás dos primeiros 25 anos do clube. O seu compromisso com o FC Barcelona foi muito além do seu papel como jogador, diretor e presidente. Mais informação*

(*Todas as informações adicionais estão em espanhol)

1909-1919: Consolidação no campo da Rua Indústria

Em novembro de 1908, o Barça vivia uma crise, com 38 sócios a ponto de abandonar o clube. Gamper não deixa a agremiação morrer e pela primeira vez assume a presidência do clube. Começava uma nova etapa na história da entidade, que significava a sua consolidação no cenário futebolístico e social da cidade e do país.

Foi um processo influenciado por diversas circunstâncias: em primeiro lugar, a consolidação como entidade, com base a um constante incremento do número de sócios; a reforma dos estatutos; e o primeiro campo próprio. Paralelamente, uma etapa de êxitos esportivos e os primeiros jogadores reconhecidos pela torcida, em uma fase que envolve o profissionalismo do futebol. Mais informação 

1919-1930: Uma época dourada

Na década dos anos 20, o futebol se converte em um esporte de massas. O FC Barcelona segue atraindo uma boa parte da atenção futebolística graças a um time dos sonhos formado por craques como Samitier, Alcántara, Zamora, Sagi, Piera e Sancho, que se converteram nos primeiros grandes ídolos do Barça.

Essa geração fez crescer a torcida culé e provocou em 1922 a construção do Campo de Les Corts, o primeiro grande estádio dos torcedores do Barça. Em 1923, o clube superava os 10 mil sócios.

Os duelos contra o Espanyol de Barcelona, o grande rival da época, foram os que criaram mais expectativas em uma torcida que idolatrava a sua equipe e a seguia por todas as partes. No Campo de Les Corts, o Barça viveu anos de glórias. Mais informação

1930-1939: Lutando contra a história

O FC Barcelona estava comprometido com a reforma social, política e cultural iniciada pelo Governo Republicano Catalão. O informativo oficial do clube em outubro de 1932 esclareceu a posição do clube: “A popularidade do nosso clube inclui, indiscutivelmente, elementos que não estão relacionados ao esporte”. A participação em atos políticos e culturais fazia parte desse comprometimento.

No início da Guerra Civil, os funcionários do clube se depararam com a possibilidade do FC Barcelona ser tomado deles, fazendo com que eles tomassem uma importante decisão que viria a salvar a organização. O comitê demonstrou o seu empenho em não se separar da sua liderança pré-guerra.

A década de 1930 foi marcada por instabilidade política e crise geral, que inevitavelmente cobraram o seu preço do FC Barcelona. Durante esta década, o clube se deparou com diversos eventos cataclísmicos, incluindo a morte do seu fundador, a Segunda República Espanhola, a Guerra Civil Espanhola e o assassinato do seu presidente, Josep Suñol. Resumindo, foi um período caracterizado por incertezas, onde se viu uma redução no número de sócios e o cancelamento dos contratos de alguns jogadores. Mais informação

1939-1950: Anos de perseverança 

Os momentos mais amargos da história do FC Barcelona foram nos primeiros anos da pós-guerra civil espanhola. O clube quase desapareceu. A dura repressão e a perseguição das autoridades militares e civis nos seus discursos descaracterizou a entidade.

A perseguição também afetou os jogadores e todos aqueles que tinham participado da turnê pela América foram suspensos por dois anos. Muitos se exilaram em outros países, o escudo e o nome do clube foram modificados com características mais espanholas e os presidentes foram escolhidos a dedo pelas autoridades esportivas.

Entretanto, graças ao elenco que seria redigido nos anos seguintes, a década dos anos 50 começou com uma série de títulos. Para muitos, os jogos do Barça no Les Corts era um oásis de liberdade em anos de medo, miséria e repressão. Mais informação

1950-1961: Os anos de Kubala 

Durante a década de 1950, o FC Barcelona viveu um considerável crescimento na sua massa social. Os 26.300 sócios se converteram em 52.791, uma subida um pouco maior que 100%. Várias razões contribuiram para esse aumento no número de sócios.

A chegada de László Kubala ao time teve um papel principal nos sucessos do Barça e ele se tornou um ídolo da torcida azul-grená. As vitórias da equipe e o lendário Kubala foram fundamentais para obter a lealdade dos fãs. O Barça se integrava cada mais na sociedade catalã.
Ao mesmo tempo, o início da recuperação econômica vivida a partir de 1951, junto com o aumento de salários um pouco maior que as taxas de inflação, significava que as pessoas tinham um maior poder econômico. Desse modo, o custo do carnê de sócio era menos restritivo.

O clube necessitava um estádio maior. Em 1953, o slogan da campanha eleitoral de Miró-Sans “Precisamos, queremos e teremos novas dependências” foi decisivo para a sua eleição como novo presidente do Barça. A construção do Camp Nou foi uma afirmação do ímpeto modernista da entidade. Mais informação 

1961-1969: Nova dimensão social

Durante a década de 1960, o FC Barcelona assistiu a um aumento imparável no seu número de sócios. Contraditoriamente, o mesmo êxito não ocorreu nos esportes. Ao mesmo tempo, a Catalunha recebeu um grande número de imigrantes e foi nesse contexto que o Barça se tornou um importante mecanismo de integração na sociedade catalã. 

A irregularidade no âmbito esportivo e a austeridade econômica, parcialmente por culpa da construção do Camp Nou, significavam que o clube não poderia contratar grandes jogadores, e isso se refletiu nos resultados do Barça. Mais informação. 

1969-1978: Democracia e Johan Cruyff

En 1969, Agustí Montal Costa ganhou as eleições para a presidência do Barça. Seu programa insistia na implicação dos sócios e no compromisso de tentar que todos vissem refletida sua opinião através do voto. Em 1973, Montal foi reeleito presidente ao apresentar com o slogan ‘O Barça é mais que um clube”.

Durante todo o seu mandato foi um grande defensor da recuperação do catalanismo e um firme opositor ao centralismo futebolístico que exerciam a Federação Espanhola e a Delegação Nacional de Esportes. Graças ao seu impulso, o FC Barcelona foi recuperando todos os seus símbolos, começando pelo nome da entidade, que tinha sido espanholizado após a guerra civil espanhola. Além disso, o sonho de contratar Johan Cruyff começava a ser possível. Mais informação

1978-1988: Mais sócios, mais estrelas

A incrível vitória na Basileia em maio de 1979, quando o Barça ganhou a Copa dos Campeões da Copa Europeia de Clubes pela primeira vez, trouxe o FC Barcelona de volta ao topo da classificação entre os grandes clubes do mundo. Foi a primeira vitória durante a presidência de Josep Lluís Núñez. Durante a década de 1980, o FC Barcelona vivenciou altos e baixos, influenciados por resultados de partidas, desempenhos de jogadores famosos e outros assuntos não relacionados ao esporte.

Nessa década, foi vista a chegada de jogadores extraordinários como Quini, Maradona, Schuster, Alexanco, Julio Alberto, Urruti, Marcos… e uma série de treinadores com estilos de futebol bastante diferentes, como Helenio Herrera, Lattek, Menotti, Venables… Esse também foi o período no qual apareceram os primeiros contratos multimilionários, e os direitos de transmissão na televisão começaram a influenciar os assuntos financeiros do clube. A organização cresceu ainda mais com a ampliação do Camp Nou e viu um aumento incrível no seu número de sócios, que ultrapassou os cem mil. Mais informação

1988-1996: O 'Dream Team'

A partir de 1988, com Cruyff como treinador, o Barça experimentou novamente uma fase de excelente futebol e sucesso no esporte. A diretoria, presidida por Nuñez, tinha como foco a construção de uma equipe de futebol que entusiasmasse e tivesse um bom desempenho. O Camp Nou começou a ficar cheio novamente.

O FC Barcelona conseguiu assegurar quatro campeonatos consecutivos da Liga Espanhola entre 1990 e 1994. A vitória na Copa Europeia de Clubes, em 1992, foi o ápice desse período, caracterizado pelo estilo de jogo ofensivo e com toques rápidos, além da mentalidade vencedora dos jogadores de Cruyff.

Conhecido como o “Dream Team” do futebol europeu, os seguintes jogadores inesquecíveis entraram para a história do Barça:
Zubizarreta, Bakero, Begiristain, Laudrup, Koeman, Stoichkov, Romário, Eusebio, Nadal, Guardiola, Amor, Juan Carlos, Ferrer, Nando, Julio Salinas, Serna, Alexanko e Goikoetxea.

Liderados pela dupla Cruyff-Rexach, a equipe finalmente deixou para trás o seu passado problemático; o Barça se tornou um dos maiores nomes do futebol mundial. Mais informação 

1996-2008: Um clube centenário

São poucas as entidades que conseguem completar cem anos de existência. O centenário do Barça queria ser o ponto de conexão entre um passado glorioso e um futuro cheio de boas perspectivas.

Os atos comemorativos foram uma festa do barcelonismo, um passeio pela história do clube celebrado durante o ano inteiro, que contou com a participação de várias personalidades de destaque da cultura catalã e a implicação de entidade e meios de comunicações.

O renomado artista Antoni Tàpies foi o criador do pôster do centenário, somando-se a outros artistas e escritores prestigiosos que contribuíram para engrandecer o universo simbólico do FC Barcelona. Na temporada 1998/99, coincidindo com a celebração do centenário do clube, foi também histórica pelos êxitos esportivos das outras modalidades esportivas do clube. Mais informação

2008-2016: Os melhores anos da nossa história

Sob o comando de Josep Guardiola, a equipe melhorou ainda mais utilizando o mesmo estilo introduzido por Cruyff. Guardiola era um grande defensor da estratégia de basear a sua equipe em jogadores formados nas categorias de base do clube e promoveu diversos jovens talentos para a equipe principal. O resultado foi a melhor equipe que o Barça já viu.

O grande reconhecimento internacional de tal feito veio quando as indicações da Bola de Ouro FIFA, em 2010, listaram Xavi, Iniesta e Messi para o prêmio. Todos os três haviam crescido na 'Masia', a residência onde jovens esportistas de todas as idades são treinados e educados.

Essa equipe foi o ápice de tudo que o FC Barcelona representa e produziu uma incrível sucessão de grandes títulos, incluindo duas Ligas dos Campeões e três Ligas Espanholas, além do esperado Mundial de Clubes da FIFA, que foi finalmente vencida em 2009, naquele ano extraordinário onde o Barcelona ganhou todos os seis troféus em disputa, algo nunca visto antes da história do futebol europeu.

O Barça quebrou todos os tipos de recordes, disputou jogos memoráveis e ganhou praticamente todos os títulos disponíveis. Mas o maior prêmio para o time de Guardiola veio em Wembley, quando o mundo ficou encantado com o tipo de futebol dos sonhos. A imprensa mundial elogiou esse time extraordinário que escreveu um dos capítulos mais incríveis na história do jogo. A etapa de Guardiola finalizou em 2012, mas o Barça vai continuar obtendo êxitos com Tito Vilanova (Liga 2012/13) e com Luis Enrique, que em 2015 consegue o segundo triplete da sua história: Copa, Liga e Champions. 

Mas não foi somente a equipe de futebol que estava recolhendo os prêmios. As equipes de basquete, handebol, hóquei sobre patins e Futsal conquistavam o seu primeiro título europeu. Além disso, as temporadas 2011/12 e 2014/15 fecharam com um número recorde de troféus: 17. Em 115 anos de história, O FC Barcelona nunca tinha ganhado tantos prêmios em uma única campanha. Mais informação